A associação do "negacionismo" com o "neoliberalismo" e suas terríveis consequências para o Brasil


Geniberto Paiva Campos – Brasília - abril, 2021

“A formiga, com ódio da cigarra, votou no inseticida. Morreram todas.”

Seria difícil imaginar que ainda no primeiro semestre do ano em curso, estaríamos vivendo as consequências do desmonte do país, comandado por
um grupo, até agora incapaz de demonstrar a mínima competência de criar algo produtivo, em sua desastrada maneira de administrar o Brasil. Tendo como direção única promover o caos. E a extinção completa do país, enquanto estado-nação. E sua transformação em colônia exportadora de matérias
primas. Subordinado ao mesmo “patrão” (yes man/yes sir).

A ocorrência da Pandemia do Covid 19 logo no início do novo governo criou, pelo seu inesperado e complicado surgimento, um desafio não previsto. De tal modo, que o recurso ao “negacionismo” seria um mote, talvez previsível, vindo de um bando de medíocres, que assumiram o poder através de um estranho processo eleitoral, onde predominaram a ausência de debates, a participação aberta dos eleitores e até manobras de disfarce, como o também (muito) estranho – e conveniente - “atentado” ao candidato presidencial, dessa forma impedindo-o de participar diretamente da disputa do pleito e anunciar seus “projetos”, submetendo-os ao crivo dos opositores e ao escrutínio do eleitorado.

Projetos resumidos numa frase preocupante, estranhíssima, repetida pelo candidato, mandando um recado mais ou menos assim: “vou destruir e depois recriar...”

A nova roupagem adotada pelo Capitalismo resultou num novo sistema, o Neoliberalismo, com todo o seu cortejo de desgraças, que integram a sua pauta sacrossanta, anunciada pelos seus “defensores teológicos do livre mercado” (Hobsbawm, 1995): pobreza, desemprego em massa, miséria, instabilidade, e até o colapso de todo o sistema.

Ao final da II Guerra, o sistema capitalista se permitiu ensaiar algumas mudanças. A mais radical de todas foi o Neoliberalismo. Uma espécie de revanche ao modo socialista de produção e repartição dos ganhos, no qual o Estado desempenhava um papel predominante. E atribuía ao Operariado papel prioritário no mundo do Socialismo. O Neoliberalismo tornou-se uma espécie de crença, a teologia de um novo sistema econômico. E foi esta base
ideológica, que tinha o “Deus Mercado” como divindade máxima, que assumiu o governo do Brasil em 2019. Com a área econômica entregue a um medíocre “Chicago Boy”.

Paralelo ao processo do desmanche neoliberal (leia-se privatizações...), surgia um outro terrível desafio. Desta vez na área sanitária: o Covid 19, no seu ataque impiedoso a todos os quadrantes do Planeta. É então, que tem início o chamado Negacionismo, a meu ver uma forma suave, até gentil, para designar o comportamento do governo frente à Pandemia, entendida inicialmente pelo presidente como “gripezinha”. Mas, sem exagero, segundo o jornalista André Barrocal, em seu texto de outubro de 2020, na Carta Capital, citando a nota dos partidos de Oposição, a atitude negacionista assumiu tais dimensões, que poderia ser diagnosticada como “tentativa de homicídio”; “ameaça de genocídio” ou “crime contra a humanidade”.

Pela primeira vez, uma “revolta da vacina” seria comandada pelo governante em exercício, não pela liderança comunitária. Algum recôndito, inexplicável motivo levou o presidente de todos os brasileiros a negar a situação emergencial na qual tínhamos ingressado, e que exigia respostas imediatas e inteligentes para neutralizar a ameaça de catástrofe sanitária que nos ameaçava seriamente, a ser enfrentada com a ação coordenada e efetiva de todos os brasileiros.

É quando o presidente começa a surpreender, inclusive aos seus seguidores (exceto os fanáticos), caminhando na contramão do senso comum. Cometendo imperdoáveis desatinos, de tal modo surpreendentes, que fazia as pessoas sensatas duvidarem da capacidade administrativa, e até da sanidade mental do presidente. Cercado por uma equipe de insanos e incompetentes, totalmente incapazes de enfrentar tão grave desafio sanitário. Acrescido de um detalhe: o vírus se apresentava para o mundo, simultaneamente com a vacina. Trazendo, portanto, a possibilidade de seu controle em curto prazo. Desde que tal recurso fosse empregado de forma eficiente. E de acordo com as normas científicas universais.

Seria talvez ocioso enumerar aqui os erros e omissões cometidos pelo governo, de modo proposital ou por ignorância dos mais elementares princípios sanitários, para o enfrentamento do (seríssimo) problema. Começando pela omissão dos testes diagnósticos para o Covid, calculados em alguns milhões, disponíveis e não usados pelo Ministério da Saúde. Com prazo de validade vencido, tornados inúteis, por omissão e ignorância.

A sequência de eventos – inacreditáveis, em função das suas terríveis consequências – confirmou as piores suspeitas que se avolumavam entre os brasileiros: a total incompetência administrativa do governo, incapaz de assumir os atos mais corriqueiros da governança, e muito menos os desafios impostos pelo Covid 19.

A “politização” das vacinas disponíveis e o injustificado – deliberado - atraso da sua aplicação, deu início à fase do verdadeiro GENOCÍDIO, cometido por um bando de ignorantes irresponsáveis, elevando número de óbitos, a maioria evitáveis, pelo Covid, o qual já começa a se aproximar de meio milhão de vítimas da insanidade. Tolerada, e até estimulada, por brasileiros silentes e cúmplices da ignorância assassina e cruel de inocentes. Nas outras fases do “Negacionismo”, o governo decidiu recusar o uso de máscaras protetoras, como “coisa de maricas”, à falta de argumentos científicos convincentes; o uso de álcool gel; e enfim, estimular as aglomerações. Fazendo funcionar livremente comércio, escolas, academias, restaurantes. Enfim, voltar às atividades definidas como “normais”.

E, finalmente, a tentativa de influir na conduta terapêutica da Pandemia, defendendo o uso da Cloroquina e Ivermectina, na fase aguda do Covid. Medicações que se comprovaram inócuas e com efeitos colaterais deletérios para a saúde dos usuários.

Tal comportamento será avaliado, a partir da próxima semana, na Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI – instalada no Senado Federal, o primeiro obstáculo para contenção dos desatinos governamentais, na sua desastrada e infeliz condução das medidas de enfrentamento da Pandemia.

Aguardemos os resultados.