O que muda com a demissão do presidente do BB?

Os planos de privatização do BB e da CEF continuam prioritários para o ministro da Economia

Brasília(DF), 7/1/2019 - Posse dos presidentes do Banco Central, BB e Caixa Economica. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Presidente do BB pede demissão e Bolsonaro aceita, ideia de privatizar continua | Foto: Reprodução

Presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, pediu demissão na sexta-feira (24). Fazia parte do grupo próximo do ministro da Economia, Paulo Guedes, e sempre foi muito alinhado ideologicamente ao presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Estudou na mesma universidade (Chicago) que o Paulo Guedes e, de lá, trouxe um postura ultra liberal que só foi adotada pelo ditador Pinochet na América Latina. O Palácio do Planalto alegou que a motivação foram questões pessoais, mas a rede CNN (de direita) informou que ele teria confessado a integrantes do Planalto que pediu demissão por “ter tido seu nome incluído pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no inquérito das fake news, que tramita em sigilo” (CNN, 24/7/2020).

O envolvimento dele nas ações de fake News promovidas por grupos fascistas ligados a Carlos Bolsonaro, filho do presidente ilegítimo, levaram o Banco do Brasil a repassar cerca de 119 milhões de reais para sites acusados de propagar notícias falsas na internet. O Tribunal de Contas da União determinou, em medida cautelar, a suspensão dos gastos do BB em sites, blogs e redes sociais (Correio Braziliense, 25/5/2020).

Há outras razões talvez mais fortes. Não conseguindo privatizar o BB, ele preferiu sair (G1, 24/7/2020). O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estão na lista de privatizações prioritárias do ministro Paulo Guedes. O presidente demissionário do Banco do Brasil era um dos defensores entusiastas da privatização e, por conta disso, sempre foi valorizado pelos banqueiros e imperialistas. “Na famigerada reunião ministerial de 22 de abril, Novais e o ministro da Economia, Paulo Guedes, alegaram que não faria sentido manter dois bancos públicos, o BB e a Caixa Econômica Federal (CEF)” (RBA, 10/6/2020). Mas a privatização se arrastava e enfrentava oposição dentro do Congresso Nacional e até mesmo dentro do próprio governo.

O resto das privatizações encontra uma base sólida de apoio no Congresso e em todos os setores da burguesia. Já a privatização do BB e da CEF não é consenso, até mesmo entre os empresários do agronegócio, que têm servido como uma das principais bases de sustentação da extrema-direita. “Os empresários do setor agrícola contam com facilidades junto ao BB para renegociar dívidas, em caso de quebra de safra, por exemplo. As condições não seriam as mesmas em um banco privado. Se o Banco do Brasil fosse privatizado, outra consequência direta, segundo Nogueira, seria a retirada dos fundos públicos operados pelo banco, que teriam de ser realocados para outra instituição pública para seguirem operando” (RBA, 10/6/2020).

Até o momento, Paulo Guedes e sua equipe, da qual faz parte o presidente demissionário do BB, não conseguiram privatizar as duas instituições financeiras, mas já fizeram muito estrago em ambas, preparando-as para uma possível venda fatiada. O presidente da CEF informou a venda de setores estratégicos da instituição: “Nós podemos e iremos abrir o capital. Temos ainda algumas decisões internas para serem tomadas, mas o caminho está muito claro: abertura de capital das operações de seguros, de cartões, de asset e uma discussão de loterias que passa por uma outra discussão legal” (SPbancarios, 26/6/2020).

Mesmo com a saída do atual presidente do BB, uma coisa é certa, o ministro da Economia não vai desistir nem arrefecer seu ímpeto privativista. Ele sabe que esse projeto é o que garante o apoio que recebe da burguesia, dos banqueiros e da grande imprensa.

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