Bolsonaro leva Brasil rumo ao hexa! Dólar se aproxima dos 6 reais

Moeda brasileira está entre as que mais desvalorizaram na crise e desvalorização é usada como forma de pressão do capital financeiro

Diário Causa Operária - 

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Comportamento do câmbio em 28/10/2020 | Foto: Reprodução

 

A elevação da cotação do dólar frente ao Real fez o Banco Central vender US$ 1,042 bilhão, ontem, para frear a desvalorização da moeda brasileira. O dólar chegou a R$ 5,79, a maior cotação desde 18 de maio. (G1, 28/10/20)

Segundo analistas de bancos estrangeiros o dólar caminha para superar a barreira dos R$ 6,00. Isto por vários motivos. O aparecimento de uma segunda onda do coronavírus na Europa aponta para uma recuperação econômica mais longa, ampliando a crise. A manutenção de uma taxa de juros baixa no Brasil, com a Selic em 2%, torna pouco atrativo para o capital especulativo pegar emprestado dinheiro a juros muito mais baixos em outros países e aplicar no Brasil, como sempre fazia. Agora, além de diferenciais de taxas de juros menores, a instabilidade política espanta os especuladores, que acabam por tirar dinheiro do Brasil.

Esta é uma forma de pressão usualmente utilizada pelo capital financeiro para exigir que o governo brasileiro mantenha a política de geração de superávits para garantir o pagamento de juros das dívidas. O capital financeiro internacional não aceita que o governo brasileiro adote políticas de transferência de renda ou auxílio às populações mais duramente atingidas pela crise.

Um exemplo de como o capital financeiro pressiona é o que divulga o Banco Santander. A economista-chefe do banco espanhol, Ana Paulo Vescovi, disse que o banco trabalha com o cenário do dólar ultrapassando R$ 6,70 em breve. Isso inclui uma elevação substancial na taxa Selic e a inflação acima da meta, em 6%. É bom lembrar que ela foi secretária do Tesouro Nacional e secretária-executiva do Ministério da Economia no Governo Michel Temer, fala o que os banqueiros querem que o governo ouça.

O que justificaria esse cenário de explosão da crise brasileira seria, segundo ela, a possibilidade do governo romper com o Teto de Gastos e se encantar com políticas sociais. O que propõe é a manutenção do “garrote” nos gastos e as demais políticas neoliberais de entrega do país e de fim dos direitos dos trabalhadores.

Além disso, esse tipo de flutuação da moeda, sem relação direta com o comportamento da economia real (exportações, níveis de produção etc.) mostra a desconfiança dos capitalistas na capacidade do governo em continuar promovendo as privatizações e o desmonte dos direitos dos trabalhadores, como prometido. Isso ficou mais claro para os capitalistas depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Mais (DEM-RJ) em uma postura ainda mais à direita que o governo golpista do Bolsonaro, acusar o governo federal de obstruir o avanço das “reformas” .

O investimento estrangeiro direto caiu pela metade no primeiro semestre de 2020 chegando a U$ 18 bilhões, com um recuo de 48% em relação a igual período de 2019, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Esse investimento tem um caráter mais de longo prazo e difere do que é aplicado no mercado de capitais. Essa queda foi maior que a média da região (-25%), Chile e México tiveram resultados positivos, 67% e 5% respectivamente.

A posição da economista-chefe do Banco Santander na defesa da política neoliberal de solapamento da economia brasileira reflete nos resultados conseguidos por este e outros bancos durante a crise do coronavírus. Nos nove primeiro meses do ano o Santander teve um lucro de R$ 9,891 bilhões, segundo balanço divulgado na terça-feira (27). Esse resultado deve ser maior, como afirma o secretário da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mario Raia, pois o banco se utiliza de manobras contábeis para maquilar um resultado menor aumentando artificialmente a Provisão de Devedores Duvidosos (PDD). Cabe observar que o banco é um dos que mais demitiu. Fechou 4.335 postos de trabalho nos últimos 12 meses.

Essa queda nos “investimentos estrangeiros” representa também uma velocidade menor nas privatizações e também retrata o processo de desindustrialização vivido pelo país. Depois do golpe de 2016 houve um crescimento do investimento direto na forma de dólares para a compra de empresas brasileiras, algumas delas fechadas ou depenadas depois, como o caso das refinarias de petróleo e da Embraer.

No caso da Petrobras, é importante observar como os governos golpistas estão destruindo um dos mais importantes patrimônios brasileiros. Além da escandalosa venda de três plataformas da Bacia de Campos por 0,1% do valor efetivo delas em agosto.

Nos últimos anos, a Petrobras já vinha demonstrando um interesse menor em participar da indústria de refino. A companhia pretende se desfazer de cerca de 50% de sua capacidade de refino, vendendo unidades no Sul, Norte e Nordeste. A companhia tem alterado, desde 2016, o perfil de produção das suas refinarias. Nesse contexto, chama a atenção o atual processo de paralisação de unidades de produção de lubrificantes da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), bem como a interrupção da produção deste derivado na Refinaria Landuplho Alves-Mataripe (Rlam)”. (FUP, 15/9/20)

Do lado dos trabalhadores, a divulgação dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), na segunda-feira (26) mostrou que em 2019 houve um pequeno crescimento no número de empregos, mas, em razão da reforma trabalhista e da eliminação de direitos, cresceu 154% o número de empregos intermitentes e 138% os empregos em tempo parcial. O que os dados da Rais também mostraram a queda na remuneração média dos trabalhadores. São dados sobre 2019, sabemos que os de 2020 virão com um retrato drástico sobre a vida dos trabalhadores.

fonte: https://www.causaoperaria.org.br/bolsonaro-leva-brasil-rumo-ao-hexa-dolar-se-aproxima-dos-6-reais/


A alta da inflação, o desemprego em massa e as políticas de austeridade contra os trabalhadores demonstram como a economia política burguesa é de administração da pobreza.
Cerimonia de posse do  presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano.
Montezano defendeu o alinhamento “total” da nova direção do banco com o governo federal, afirmou que a instituição buscará ajudar nos processos de desestatização, abrirá sua “caixa-preta” (promessa de campanha do presidente) e devolverá recursos ao Tesouro Nacional. Brasilia, 16-07-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Governo Bolsonaro aumenta ainda mais a política de administração da pobreza no país. | Foto: Reprodução

Acrise econômica decorrente da ditadura militar no Brasil (1964 – 1985) que trouxe um grande endividamento estatal, estagnação industrial, desemprego massivo e tendências à hiperinflação, criou a necessidade por parte da burguesia de uma disciplina econômica para que assim se pudesse ter um controle maior sobre a classe operária e a Economia.

Desde o Plano Real (1994) a economia política da burguesia para a classe operária é sustentada por quatro pilares: o congelamento salarial, a intensificação da rotatividade do emprego, a quebra de direitos trabalhistas conquistados através das “flexibilizações trabalhistas”, além da lei antigreve. Isso fez com que nos últimos 26 anos o Brasil conseguisse de certa forma manter uma relativa estabilidade da moeda, do orçamento público federal, dos estados e municípios, do endividamento estatal, da carga impositiva de quase 40% e também do superávit primário.

No governo de Jair Bolsonaro, no entanto, estamos nos deparando com uma tendência ainda mais crítica da economia política para com a classe operária, e isso ocorre pela crise aguda do capitalismo, onde vemos ainda mais fortes o desemprego em massa, fechamento de fábricas, falências, e um dado muito importante que influencia diretamente a vida dos trabalhadores, que é a inflação acelerada.

Se observarmos como os quatro pilares da economia política da burguesia para a classe operária estão sendo conduzidos pelo governo Bolsonaro podemos perceber o verdadeiro descontrole e como a renda dos trabalhadores está cada vez mais baixa e como isso interfere diretamente na convulsão social que se aproxima. Com a crise capitalista em seu estado cada vez mais crítico, o congelamento salarial, que antes se limitava apenas ao crescimento da baixíssima inflação está dando lugar a nenhum aumento real do salário mínimo, afinal isso se contrapõe ao aumento progressivo da inflação, ou seja, a política de quase nenhum aumento salarial já não pode mais ser aplicada e justificada pela taxa de inflação, pois o seu aumento significaria a necessidade de um aumento também do salário mínimo, prejudicando assim a política de benefício da burguesia às custas dos trabalhadores, afinal o aumento de salário significa também o aumento de encargos e do valor da folha salarial, fora o aumento real dos salários.

A rotatividade de emprego dá lugar a grandes massas de trabalhadores desempregados, onde na primeira vez na história, o Brasil se encontra com mais trabalhadores desocupados do que aqueles com carteira assinada. O endividamento estatal está atingindo níveis cada vez maiores, e somente até julho de 2020 já representava mais de 85% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Além disso, as condições de trabalho da classe operária se deterioram cada vez mais, principalmente com as medidas tomadas pelo governo durante a pandemia, ou melhor, sob o pretexto da pandemia. Se a reforma trabalhista aprovada no governo de Michel Temer já foi um duro golpe contra os direitos trabalhistas conquistados, as políticas de Bolsonaro praticamente aniquilaram esses direitos, onde cortes salariais superiores a 50% foram liberados, cargas horárias reduzidas (sem aumento de contingente), contratos podendo ser suspensos e férias antecipadas sem ao menos um período prévio para que o trabalhador pudesse ser comunicado.

Todos os desastres da política econômica do governo Bolsonaro em meio à crise e em meio à pandemia resultam em condições de vida dos trabalhadores cada vez piores e o aumento da inflação, uma das maiores nos últimos 26 anos, e isso devido ao descontrole de todas as outras políticas que de certa forma controlam o regime burguês. Isso reflete diretamente na renda dos trabalhadores, onde a mesma é diminuída e o poder de compra da classe operária é cada vez menor. A alta da inflação e a estagnação dos salários fazem com que a renda dos brasileiros seja cada vez menor, onde produtos primários como os da cesta básica atinjam preços super altos, a grande massa de desempregados cria também uma forma de abaixar ou manter salários de fome, afinal a reserva de força de trabalho em grande quantidade gera uma demanda muito maior do que a procura, o que justificaria, na lógica capitalista, salários cada vez mais baixos.

A política econômica da burguesia é uma forma controlada de impor a pobreza da classe operária, a fim de garantir seus lucros e ao mesmo tempo transparecer uma imagem de controle econômico, mas isso está cada vez mais insustentável no governo Bolsonaro, demonstrando assim como é latente e aguda a crise capitalista, principalmente se no atual momento ela for dirigida com tamanha austeridade contra os trabalhadores.

A crise da renda dos trabalhadores e o verdadeiro descontrole do regime burguês diante da crise capitalista ao mesmo tempo em que prejudica cada vez mais a vida dos trabalhadores também demonstram a tendência à mobilização e a necessidade da luta da classe operária por um salário e renda dignos.

Com o capitalismo em pleno declínio, os problemas imediatos da classe operária passam a ser guias do movimento operário e também são os mesmos que criam na classe trabalhadora a consciência da necessidade de lutar contra o atual regime e pelo governo operário. Diante deste cenário, é imprescindível a mobilização dos trabalhadores, para que as crises sejam superadas e não sejam pagas pelos trabalhadores, e para que o governo operário seja conquistado.

Os trabalhadores devem se mobilizar para derrotar aquilo que mais prejudica as suas vidas, no caso a burguesia e seus governos e de imediato o governo Bolsonaro. Por isso é indispensável a luta pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas.

 fonte: https://www.causaoperaria.org.br/governo-bolsonaro-pulveriza-a-renda-do-trabalhador/

Sem conseguir equacionar todas as nuances da situação econômica, com centenas de milhares de mortos e dezenas de milhões de desempregados, o governo segue com uma chaga aberta
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Situação da economia nacional: queda livre | Reprodução

Os resultados do genocídio e da destruição da economia nacional não são uma fatalidade, mas uma política do governo golpista, imposta pela burguesia imperialista e seu apêndice nacional. No entanto, Bolsonaro vem enfrentando dificuldades em aplicar integralmente este programa, devido a não conseguir dar uma resposta que solucione a grave crise numa economia que se mantém em queda livre em inúmeros indicadores, do PIB ao desemprego.

Desemprego

Rumo aos 160 mil mortos, o governo Bolsonaro levou o país a 14% de desempregados. Na última sexta (23), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-COVID), que o país atingira a marca de 13,5 milhões de desempregados em setembro. Recorde da série histórica, o aumento é de mais de 33% desde maio (primeiro trimestre que já trouxe dados após a pandemia).

Fonte: Sítio do IBGE na internet. https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php

Mas não é só isso. O IBGE, em sua pesquisa PNAD-COVID, mostrou que a população ocupada (empregados, empregadores, trabalhadores por conta própria, servidores) era de 85,9 milhões no trimestre até maio. Isto representava uma queda de 8,3% frente aos três meses anteriores. O detalhe é que este número é menos da metade do total da população em idade para trabalhar (maior de 14 anos), sendo o pior resultado da série histórica, iniciada em 2012.

Este dado fica subnotificado porque o IBGE não considera todas as pessoas que estão sem trabalho como desempregadas. A categoria que o Instituto classifica como desalentados, por exemplo, pessoas que pararam de procurar emprego, não entra na taxa de desemprego. Portanto, a taxa oficial de desemprego, que foi divulgada esta semana como 14%, não corresponde a todos os milhões de brasileiros, que apesar de não se encaixarem nos critérios do desemprego do IBGE, estão sem renda e sem condições mínimas de sobrevivência.

Em outras palavras, o governo golpista levou o Brasil, pela primeira vez, a ter mais desocupados do que ocupados.

Inflação

Segundo dados do IBGE, o País chegou ao pior resultado o índice de inflação medido pelo IPCA desde 2003, quando os resultados refletiam o último ano do governo neoliberal de FHC (PSDB), quando o índice apurado foi de 0,73%. Isto quer dizer que enquanto o governo aprova medidas para redução do salário, como a reforma trabalhista e a MP 936 (redução da jornada e do salário), os preços sobem. Logo, o trabalhador perde 2 vezes e vê seu poder de compra reduzido a comprar no máximo os alimentos básicos. Dado que fica claro no fato do auxílio emergencial ter sido utilizado na maior parte dos casos para comprar comida, como apontou a própria imprensa burguesa.

É neste sentido que a burguesia se mantém atenta ao indicador, que está sempre diretamente relacionado com a latência da mobilização popular em curso. Quanto maior a inflação, mais se deterioram as condições de vida dos trabalhadores, que tendem a se levantar contra tal condição de miserabilidade.

Fuga de Capitais

Outra dado que revela a crise da economia nacional é o fato dos capitalistas estarem retirando seus recursos do país e investindo em outros lugares do mundo, para preservar seu patrimônio diante das incertezas da economia brasileira.

O governo estima que desde o início da pandemia, 88 bilhões de reais teriam sido retirados do País, o que representa o dobro do ano passado! Isto considerando que ainda faltam mais de 2 meses para o fim do ano. É um sinal claro da burguesia de que a situação política no Brasil não vai nada bem. Um alerta dos capitalistas para os próprios capitalistas.

Um governo sem coesão

Resultado direto do golpe de Estado de 2016 e da fraude eleitoral de 2018, o governo Bolsonaro assumiu com a tarefa de manter o programa de terra arrasada dos golpistas iniciado com Temer (MDB). Manteve toda a política econômica de Temer, fatiando estatais para entregá-las de mão beijada ao capital estrangeiro, destruindo a economia nacional e abrindo os cofres públicos para os banqueiros sob o pretexto da pandemia e de “salvar a economia”, leia-se salvar os capitalistas.

Porém, se por um lado o governo tinha o mesmo programa, sua composição tão improvisada ou mais que a do próprio governo Temer, fez com que houvesse uma dificuldade muito maior para a implementação do mesmo programa. O próprio PSDB chegou a fazer chacota do governo Bolsonaro ao dizer que o ministro da economia, Paulo Guedes, “só vendeu ilusão”, mas nenhuma estatal. De outro lado, a dificuldade do governo em promover as reformas e o programa neoliberal dos banqueiros, expressou a divergência interna que se desenvolvia e que ficou marcada pelos conflitos da Economia com a Casa Civil e da disputa pelo orçamento público, o que fez com que o governo tivesse ficado paralisado ou debilitado numa série de medidas, como a aprovação da reforma da previdência ou a discussão da reforma tributária.

Sem conseguir equacionar todas essas nuances da situação econômica, com centenas de milhares de mortos e dezenas de milhões de desempregados, o governo segue com uma chaga aberta, que impede de executar tudo o que a burguesia o elegeu para fazer. É esta contradição na qual se abre todas as possibilidades de intervenção dos trabalhadores na situação política, pois, apesar de todo o teatro de extrema direita e da direita, a burguesia não pode resolver a situação econômica com discurso. É preciso superar os problemas concretos trazidos pela crise, a disputa se será pela esquerda, atendendo os interesses dos trabalhadores, ou pela direita, com a burguesia impondo uma derrota ainda maior ao povo brasileiro.

 

fonte: https://www.causaoperaria.org.br/a-economia-e-o-motor-da-instabilidade-do-governo-bolsonaro/